quarta-feira, 6 de maio de 2009

El Condor Pasa - Um brinde do povo peruano ao mundo

El Condor Pasa - é uma música, é um Hino. O povo peruano o assumiu como símbolo da luta do povo inca. Composta no ano de 1913 por Daniel Alomía Robles e a letra, por Julio de La Paz, El Condor Pasa é uma obra teatral, musical. No Peru, foi declarada Patrimônio cultural da Nação em 1993.
A história transcorre no assentamento mineiro Yapaq de Cerro de Pasco, Peru, e constitui-se uma obra de denúncia social. É a tragédia do enfrentamento de duas culturas: a anglo-saxônica e a indígena. A exploração de Mr. King, dono da mina, tem sua culminância na vingança de Higínio, que o assassina. Mas, para substituí-lo, chega Mr. Cup. E a luta tem que ser reiniciada, e o condor que voa nas alturas é o símbolo da desejada liberdade (Fonte: Wikipedia).
Existem várias traduções para a letra, da mesma forma que há inúmeras interpretações musicais pelo mundo afora. Só para citar algumas: Paul Mauriat, Gigliola Cinquetti (1970), Raices de América, Simon & Garfunkel, Banda composta por 12 Garotas Chinesas, Plácido Domingo... Todas belíssimas. El Condor Pasa, para mim, é uma das músicas mais belas do mundo, seja cantada ou instrumental, interpretada por voz(es) de qualquer cultura. Aliás, ela transcende tempos, línguas e culturas. Patrimônio da Humanidade!
Deixo aqui uma dessas versões: a instrumental, de Paul Mauriat.
Espero que gostem.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Rosa



Sempre fui uma pessoa de muita sorte. Começou quando nasci, pois enquanto todas as crianças tem apenas uma mãe, eu tive duas. Uma delas, a que me criou e me ensinou as artes da vida se chamava Rosa. Rosa em flor, em botão. Um dia, murchou e morreu, como todas as flores-rosa que também não vivem muito. Só o suficiente para espalhar a sua presença e deixar sua lembrança. Que vira saudade, como a que sinto agora.

Rosas são flores fortes mas sensíveis, têm espinhos e delicadeza. Minha mãe também era assim. Mulher à frente de seu tempo, pobre de dinheiro, rica em ética, idéias adiantadas criou e fez sua filha mulher. Se sou o que sou, devo a ela, apesar de ter-me deixado tão cedo. Partiu. Uns disseram-me que foi para o céu. Acho que sim, afinal, para onde vão as mães pobres, que só amaram, trabalharam, criaram filhos, choraram e venceram? Mães assim não tem pecados, não tem culpas e precisam de um lugar tranqüilo para descansar. Acho que esse lugar é o céu...


(Fotografia: Maria de Fátima Garcia)

domingo, 5 de abril de 2009


O Cheiro da Hortelã

Após o degelo de espessas camadas de neve
Do inverno brutal em Glasgow
despertam as plantas adormecidas,
rasgando os primeiros brotinhos
no tamanho de um grão de arroz.

Esse desabrochar de vida consta numa mensagem,
Vinda dessa terra tão inóspita e longínqua
E me reporta:
Ao cheiro da hortelã macerada com açúcar
À espera do leite tirado na hora,
Em manhãs frias de inverno,
Envolta pela névoa suave

Com as plantações de feijão,
Capim de pasto, laranjeiras, tangerinas,
Pessegueiros, Ah! Estes suas flores
Eram maravilhosas e perfumadas,
Pimenteiras, apreciadas pelos caprinos, a
Devorá-las enquanto pulavam e berravam,
Sem com isto parar de comê-las.

Tudo encharcado pelo orvalho gelado e
Coberto pela serração
Vinda do Rio Pardo com suas águas barrentas,
Ancoradouro de uma canoa, a fazer;
Travessia para a margem de lá,
Na fazenda Entre Rios,
Onde havia a escola, que íamos a pé.
Por um caminho ladeado pela pródiga natureza,
A oferecer
Cajus, araçás, marolos, pitangas e gabirobas,
Num misto de perfumes e sabores indescritíveis
Convivendo com:
Emas, veados, serpentes, quatis, tatus e tantos outros.

Na margem de cá a magia do sítio,
Com a casa de taipa, branquinha de cal;
Acolhendo todos ao redor de seu fogão à lenha,
A estalar e espalhar fagulhas das labaredas,
Em doces cantigas
A embalar
Os desejos de calor e alimento...

Ah! Já faz tanto tempo,
Mas posso sentir,
O cheiro da hortelã como se fora neste instante.
Mas cadê o tempo?
Meu Deus! O que significa esse retorno à infância?
Memória de cheiros perdidos
Junto com algo, que
Talvez, nunca mais tenha encontrado...
(Poema: Maria Aparecida Damin
Fotografia: Maria de Fátima Garcia)

segunda-feira, 30 de março de 2009

O ninho (Parte I)


Minha casa anda mesmo prenhe de vida e sensualidade.
A orquídea branca se oferecendo ao capim cidreira,
Duas pombinhas, na verdade, rolinhas
Um casalzinho
Decidiram fazer seu ninho de amor
No vaso da samambaia de metro
A bailar no teto da varanda-garagem!
Depois da reforma,
Pintei a garagem de cor clara, amarelinho ocre

Mudei o piso pra branco, levemente esverdeado.
Mantive os vasos de plantas
E coloquei um sofazinho com duas poltronas de vime amarelo-sol.

Agora!
Ficam os dois "marido e mulher" deitados no vaso...
A presença dos moradores e o barulho das crianças
Não os incomoda!
Estou numa encruzilhada!
Incompatibilidade da água com o ninho!

Se os deixo continuar
Até botarem seus ovinhos,
Criarem seus filhos em idade de alçar vôos
A samambaia secará.

Espantá-los nem pensar
Quando digo:
Esse não é o lugar ideal pra criar família
Imediatamente ouço:
"Coitadinhos, mãe! Deixa eles aí!"

Minha amiga, o que faço?
A quem devo sacrificar?
Aqui tem muita coisa a ser eternizada nas lentes da minha objetiva ....

Amiga diz:
Ninguém!
Coloque água na samambaia normalmente
Quando fazem seus ninhos em árvores ao ar livre
Chegam o vento e a chuva
E eles também não se importam
Samambaia e ninho em perfeita harmonia
Na varanda-garagem ou ao ar livre
(Maria Aparecida da Silva Damin e
Maria de Fátima Garcia)

(Fotografia: Maria de Fátima Garcia)

sábado, 28 de março de 2009

Um buquê natural de orquídea para você...


(fotografia feita por Maria de Fátima Garcia - 28 de Março de 2009)

terça-feira, 24 de março de 2009

O Som do Silêncio (Tradução de Sound of silence - de: Simon and Garfunkels)

Olá escuridão, minha velha amiga

Eu vim para conversar contigo novamente

Por causa de uma visão que se aproxima suavemente

Deixou suas sementes enquanto eu estava dormindo

E a visão que foi plantada em meu cérebro

Ainda permanece

Entre o som do silêncio

Em sonhos agitados eu caminho só

Em ruas estreitas de paralelepípedos

Sob a auréola de uma lamparina de rua

Virei meu colarinho para proteger do frio e umidade

Quando meus olhos foram apunhalados pelo lampejo de uma luz de néon

Que rachou a noite

E tocou o som do silêncio

E na luz nua eu vi

Dez mil pessoas talvez mais

Pessoas conversando sem falar

Pessoas ouvindo sem escutar

Pessoas escrevendo canções

Que vozes jamais compartilharam

Ninguém ousou

Perturbar o som do silêncio

"Tolos," digo eu, "vocês não sabem

O silêncio como um câncer que cresce

Ouçam minhas palavras que eu posso lhes ensinar

Tomem meus braços que eu posso lhes estender

"Mas minhas palavras

Como silenciosas gotas de chuva caíram

E ecoaram no poço do silêncio

E as pessoas curvaram-se e rezaram

Ao Deus de néon que elas criaram

E um sinal faiscou o seu aviso

Nas palavras que estavam se formando

E o sinal disse

"As palavras dos profetas

Estão escritas nas paredes do metrô

E corredores de habitações

E sussurraram no som do silêncio"

Para refletirmos...